Como adubar as plantas

As plantas, assim como nós, precisam de nutrientes para se desenvolver adequadamente. As raízes crescem e se espalham justamente para encontrar e absorver essas vitaminas. Ao todo são 17 minerais essenciais para elas: nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre (os principais, chamados de macro-nutrientes); e ferro, manganês, boro, molibdênio, cobre, zinco, cobalto (que são os micro-nutrientes); e em pequenas quantidades o cloro e o alumínio; já que em demasia podem se tornar tóxicos. Fora isso elas retiram o carbono, hidrogênio e oxigênio da água e do ar.

Este guia trata do jardim como um todo. No caso de árvores frutíferas o manejo pode ser um pouco diferente. Por isso estou preparando para breve um post específico sobre como adubar corretamente o seu pomar; aguarde.

No ciclo natural das coisas, as plantas crescem, morrem, se decompõem devolvendo nutrientes para o solo para que outras plantas os utilizem, mas nós colhemos, desmatamos e por aí vai. É preciso dar uma ajuda para que nosso jardim se desenvolva adequadamente. E é aí que entra a adubação.

Leia este post até o final e aprenda quando adubar, como adubar, adubos orgânicos e químicos e até como fazer seu próprio adubo líquido.

Existem muitos tipos de adubos (fertilizantes), divididos basicamente entre a adubação orgânica (natural) e a química.

Mas antes de aplicar uma ou outra, um componente importantíssimo deve ser utilizado: o calcário.

Calcário

Ele corrige a acidez do solo e melhora bastante a capacidade de absorção de nutrientes dos demais adubos pelas plantas, além de adicionar cálcio e magnésio.

O solo ácido não permite que as plantas absorvam corretamente os nutrientes das adubações, fazendo com que joguemos tempo e dinheiro fora. Pesquisas facilmente encontradas no Google, de fontes confiáveis, apontaram em 30% no mínimo a perda de adubação em solos muito ácidos. 30% de tempo, dinheiro e esforço perdidos.

Para saber se o solo onde iremos plantar é ácido, só mesmo fazendo testes laboratoriais. Porém, é sabido que a maior parte do solo brasileiro, em especial o de São Paulo e estados do Sul são naturalmente ácidos.

Na internet encontrei pesquisas de órgãos públicos da área de agricultura confirmando que à exceção do Nordeste, o solo do restante do país tem tendência a ser ácido.

Dito isso, a aplicação de calcário é imprescindível para o bom crescimento e resistência das plantas.

Exceto em espécies que preferem solos ácidos; Camélias, Azaleias e Rododendros, por exemplo. Por isso pesquise para saber se a espécia prefere solo ácido ou não.

Quando aplicar o calcário

O ideal é aplicar cerca de dois meses antes do plantio. Para quem já tem uma horta, vale a pena aplicar uma vez por ano como forma de manejo adequado, neste caso em menores quantidades nas reaplicações.

Nem sempre é possível fazer isso com tanta antecedência. Eu mesmo já espalhei calcário sobre o solo de um canteiro, com muitas plantas antigas, apenas afofando o solo, sem necessariamente incorporar; a reação foi positiva (apesar de não ser o ideal).

Qual a quantidade correta e o modo de usar o calcário?

A dose depende do tamanho de onde irá plantar. A quantidade correta de calcário é a que possa ser espalhada uniformemente na superfície do solo para depois ser incorporada numa profundidade de aproximadamente 20 cm.

Caso não seja possível incorporar, é possível aplicar apenas na superfície, sem problemas. O resultado pode ser tão bom quanto, segundo artigos técnicos sobre o tema encontrado facilmente na internet.

Não adianta exagerar, pois ao invés de ajudar pode prejudicar sua plantação. Ao contrário do húmus de minhoca, o calcário em excesso pode fazer mal. Use com moderação.

LEMBRETE: o calcário só reage com água. Por isso, caso o local aplicado não receba água da chuva, não esqueça de regar, mesmo que ainda não tenha nada plantado.

Seja qual for a adubação escolhida – Orgânica ou Mineral (química) –, a aplicação de calcário vai potencializá-la, melhorando o resultado e compensando seu esforço, que dependendo do tamanho do seu jardim ou quantidade de vasos, é bem grande.

NPK

Os adubos químicos (também chamados de fertilizantes químicos ou adubos minerais) são vendidos como fórmulas de NPK. A mais comum é a 10-10-10, que como os números mostram, contém partes iguais de Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K).

Essa fórmula pode ser usada em todas as plantas, mas pessoalmente utilizo nas que não tem flores nem frutos. Para flores e frutíferas (que precisam de mais potássio e fósforo) a fórmula mais comum é a 4-14-08.

O que significa e para que serve o NPK?

O NPK é associado a adubos químicos, mas as letras representam apenas as propriedades dos nutrientes principais necessários para nossas plantas.

Em linhas gerais, veja as características de cada letra e a importância delas para as plantas:

N (Nitrogênio) – É o responsável pela ‘parte verde’, vamos dizer assim; que são as brotações, os caules e as folhas, ajudando no crescimento e vigor das folhagens.

P (Fósforo) – É o nutriente responsável por dar energia às plantas, estimulando surgimento e força de flores e frutos. Plantas que demoram a florir e a dar frutos certamente estão com deficiência de fósforo.

K (Potássio) – Esta letra é responsável pelo fortalecimento dos tecidos das plantas, tornando-as mais resistentes à pragas, frio, seca e mudanças climáticas em geral, além de ajudar e incentivar o crescimento e fortalecimento das raízes.

Qual combinação de NPK devo usar?

Geralmente as fórmulas mais comuns de NPK são as seguintes:

NPK 8-8-8 – Fórmula específica para plantas delicadas; bromélias e orquídeas, por exemplo.

NPK 10-10-10 – Esta combinação pode ser definida como a padrão. Com certeza se perguntar para vendedores de plantas qual o melhor adubo, 90% indicarão o 10-10-10, inclusive para frutíferas (o que não é o ideal), a não ser que a pessoa realmente conheça um pouco mais do que vende.

NPK 04-14-08 – Esta sim é a formulação ideal para estimular flores e frutos. Ela contém mais potássio e (principalmente) fósforo.

NPK 20-20-20 – Esta combinação é voltada para árvores e plantas de grande porte.

Por fim temos a 20-10-10 ou 20-05-20 voltada para a adubação de gramados.

Veja mais detalhes abaixo na seção “como adubar” para saber a forma correta de uso.

A quantidade vem sempre especificada na embalagem e varia de planta para planta. A quantidade utilizada num vaso de morangos será bem menor do que a que colocaremos numa árvore frutífera de dois anos, por exemplo. Geralmente o rótulo mostra inclusive a quantidade indicada para cada idade da planta. 100 gramas para uma árvore de 1 ano, 200g para uma árvore de 2 anos e assim por diante.

Se não tiver nenhum rótulo, siga o bom senso: use pouco! Espalhe grãos suficientes para ‘salpicar’ o entorno da planta. Em se tratando de adubação, principalmente química, menos é mais! Você pode matar uma planta por excesso, não se esqueça disso.

Adubação orgânica

Na fertilização natural, chamada de orgânica, também temos de fornecer para as plantas o Nitrogênio, o Fósforo e o Potássio. A diferença é que a velocidade de liberação/absorção pelas plantas é mais lenta do que em relação à química. Resumindo, a química/mineral não é melhor que a orgânica, é apenas mais rápida. E não apenas mais rápida. Em excesso ela pode contaminar lençóis freáticos. Eu prefiro utilizar adubos químicos apenas em plantas que não são para o consumo e que de preferência estejam em vasos. Nos canteiros prefiro adubos naturais.

E esses adubos orgânicos que costumo usar são:

Húmus de minhoca

As minhocas são essenciais para a qualidade do solo. Quanto mais minhocas encontramos, melhor a qualidade daquele solo (e as plantas agradecem bastante). O Húmus é o excremento das minhocas; riquíssimo em matéria orgânica decomposta. Elas basicamente comem folhas, restos de alimentos, etc que se tornam húmus depois de digeridos pelas milhares de bactérias presentes no intestino delas.

Os seguintes nutrientes são encontrados no húmus: Nitrogênio (N) para as folhas, Fósforo (P) para flores, frutos e Potássio (K) para raízes e para o fortalecimento do sistema imunológico das plantas, tornando-as mais resistentes à pragas, doenças e mudanças climáticas.

Se você tiver de escolher apenas um adubo orgânico, escolha o húmus. E o melhor é que se você errar na dose, o excesso de húmus não faz mal!

A maneira correta de utilizar é espalhar na superfície e afofar delicadamente a terra, sem necessidade de cavar. Se tiver disponível na hora do plantio não há nenhum problema em adicionar diretamente nas covas das plantas.

Esterco de aves

Rico em Cálcio, Fósforo, Magnésio, Nitrogênio e outros nutrientes, melhora bastante a qualidade do solo e o desenvolvimento das plantas. Evidente que é um esterco já devidamente curtido, por mais de dois meses, adquirido em agropecuárias ou lojas de jardinagem.

Por ser muito forte (mais forte que o esterco de gado e cavalo) deve ser usado em pequenas quantidades; o excesso pode até matar a planta.

De preferência deve ser bem misturado com a terra duas ou três semanas antes de plantar. Caso queira adicionar após o plantio, a quantidade deve ser menor ainda e deve ser aplicado longe do caule.

Na hora do plantio, abra uma cova bem mais funda que o torrão da planta e adicione uma grande quantidade no fundo, cobrindo com uns 10, 20cm de terra e só depois coloque a planta. Meses depois, quando as raízes se desenvolverem e encontrarem o esterco, ele já estará ainda mais curtido e incorporado ao solo, beneficiando ainda mais sua planta.

Farinha de Osso

Um excelente fertilizante orgânico, rico em cálcio (que corrige a acidez do solo) e fósforo (essencial no desenvolvimento de caules e raízes) além de outros nutrientes, em quantidades menores. Este adubo é feito com ossos bovinos, incinerados até a queima total e depois resfriados e moídos. Os cães são atraídos pelo cheiro da farinha de osso, então certifique-se se cobrir com terra e proteger a planta adubada. Ela não faz mal para os animais, mas os estragos que eles podem fazer para encontrar a fonte do cheiro não são nada agradáveis.

Torta de Algodão

Mais um ótimo fertilizante natural, riquíssima fonte de nitrogênio, fósforo, potássio e outros micronutrientes. Sua liberação de forma lenta atua como condicionador de solo, provendo um aumento considerável do nível de matéria orgânica. A combinação com a Farinha de Osso é uma das melhores adubações que podemos fazer.

Recomendo que use a Torta de Algodão ao invés da Torta de Mamona (mais fácil de ser encontrada, infelizmente) pois esta última é tóxica e pode ser fatal se for ingerida por animais de estimação.

Cinzas de madeira

As cinzas são uma excelente fonte de potássio e também diminuem a acidez do solo, tal como o calcário. Por isso devem ser evitadas em plantas que preferem terra ácida como Azaleias, Camélias e Mirtilos, por exemplo.

As melhores são obtidas ao queimar madeira de lei, que rende mais.

Mas ATENÇÃO: Não use cinzas de papelão, embalagens ou madeira pintada, já que esses tipos de materiais contêm substâncias químicas que podem fazer muito mal para as plantas.

Se você é adepto da compostagem, aproveite e misture cinzas sobre as camadas da composteira. Elas também ajudam na decomposição e enriquecem ainda mais seu futuro adubo.

Podem ainda ser incorporadas em solos argilosos, descompactando a terra.

E tem ainda mais vantagens: para combater lesmas, pulgões, taturanas e outras pragas, jogue as cinzas ao redor da planta, neste caso sem incorporar na terra. Se chover, jogue de novo.

A única planta que devemos evitar o uso de cinzas como adubo, além das citadas acima, é a Batata. Pesquisas apontaram que as cinzas ajudam no desenvolvimento de uma praga conhecida como “Sarna de batata”.

Cascas de ovos

Quer economizar e fazer seu próprio adubo? Use cascas de ovos! Elas são ricas em cálcio, magnésio e potássio e podem ser usadas no momento do plantio, sendo incorporadas ao solo, ou apenas espalhadas na cobertura das plantas, em vasos ou não.

Para usá-las, separe as cascas e lave-as para retirar resquícios de gema e clara. Quando tiver uma quantidade razoável (uma ou duas dúzias) coloque todas no liquidificador ou processador e bata até formar uma farinha bem fininha. É essa farinha que você vai utilizar.

Se preferir, antes de triturar, coloque as cascas no forno por 1 minuto, apenas para que sequem completamente.

Qual a quantidade certa para cada adubo

Com exceção do húmus, que pode ser usado sem medo em qualquer quantidade, os demais adubos, mesmo naturais, podem matar suas plantas se usados em quantidades muito grandes. A tabela abaixo mostra recomendações de utilização deles para cada metro quadrado do seu jardim:

Calcário: 200 gramas
Composto orgânico (galhos, folhas e alimentos decompostos): 1 kg
Esterco de aves (frango, galinha, peru): 1 kg
Esterco de gado: 5 kg
Esterco de coelho: 5 kg
Farinha de osso: 100 a 300 gramas
Torta de algodão: 100 a 300 gramas
Cinzas de madeira: 500 gramas

Escolha um dos tipos de esterco e misture com o calcário, composto orgânico, farinha de osso, torta de algodão e cinzas. Terá um excelente substrato para um excelente desenvolvimento das suas plantas, principalmente horta.

Como adubar as plantas

Comprou uma nova planta ou está na hora de transplantar uma muda? Ou quer apenas dar uma mãozinha para as que já estão no seu jardim? Vamos adubar!

Antes de plantar

É o momento ideal de preparar o terreno ou vaso para receber plantas dentro de algumas semanas.

Remova restos de outras plantas, raízes e detritos do solo, deixando a terra bem fofa.

Adicione Esterco de aves ou de gado.

Espalhe um pouco de Calcário, o suficiente para cobrir o espaço.

Se preferir (e tiver) adicione um pouco de farinha de osso, torta de algodão e húmus.

Agora é só misturar tudo e regar (ou deixar a cargo da chuva, se tiver certeza de que ela virá) e deixar o solo descansar.

Após duas ou três semanas, é só plantar.

No momento do plantio

Abra uma cova equivalente ao dobro do tamanho necessário para a planta escolhida, tanto na altura quanto na largura. Não basta apenas abrir um buraco estreito do tamanho do torrão e pronto. Esta é a maneira errada, pois as raízes crescem também para os lados.

Adicione um pouco de terra vegetal, esterco, calcário, húmus, farinha de osso e torta de algodão. Se tiver vermiculita, que deixa o solo mais aerado e absorve água e adubos por mais tempo, ótimo, adicione também.

Agora posicione sua planta da forma desejada e complete com a mistura feita acima. Se quiser, use um pouco de húmus na cobertura do solo.

Se for usar adubos químicos NPK (a quantidade varia de planta para planta, conforme embalagem do adubo adquirido) coloque apenas nas bordas e no fundo cobrindo com terra em seguida. Se não tiver indicação de quantidade, use grãos suficientes para espalhar na borda do espaço disponível. ‘Espalhar’, não ‘preencher’. É bom usar luvas para não ter contato com o adubo químico. Cubra os grãos com um pouquinho de terra.

Regue generosamente (se não tiver previsão de chuva). Se a planta estiver em vaso, regue até a água sair pelos furos do fundo, como explicado em nosso post sobre como plantar corretamente em vasos.

Adubar plantas já plantadas, incluindo em vasos

Como adubar plantas em vaso

Para plantas que estão direto no solo use a copa, a parte do topo, como referência. Cave um círculo ao redor da planta no local onde a copa faz sombra, longe do caule. Se for uma planta estreita deixe uma distância de 30 ou 40 cm do caule e cave.

Se for adubar plantas em vaso, não tem opção, basta cavar cuidadosamente nas bordas com o uso de um ancinho ou mini pá. É normal encontrar raízes. Podemos cortar essas raízes que estiverem quase ou já nas bordas.

Retire um pouco de terra, fazendo uma pequena cova de uns 10 cm de profundidade, empurrando essa terra para perto do caule – após a adubação ela será novamente recolocada na cova. Ou então descarte a terra, caso queira usar uma melhor. Caso as raízes já estejam muito grandes, grossas e não for possível cavar, sugiro que use apenas adubo orgânico, acima da terra mesmo, ou opte por adubos líquidos (veja mais abaixo como fazer seu próprio adubo líquido).

Agora é só espalhar (sem exagerar) o NPK na cova, ao redor de toda a planta, ou espalhar farinha de osso e torta de algodão, por exemplo, se tiver escolhido a adubação orgânica.

Eu costumo adicionar um pouco de esterco de aves, caso não tenha feito isso antes de plantar ou tenha feito há mais de um ano, mais ou menos.

Se possível (e se não tiver feito isso antes) espalhe também um pouco de calcário, tanto na cova quanto mais perto do caule.

Agora é só cobrir tudo com uma terra de boa qualidade e húmus de minhoca, se tiver.

Regue generosamente ou deixe esse trabalho para a chuva.

Quando adubar?

Eu não gosto de exagerar e prefiro fazer três adubações no ano, com metade da quantidade recomendada nas embalagens (a não ser na Primavera que é onde elas aproveitam mais os nutrientes), nos seguintes períodos:

No início da Primavera (importantíssima, já que muitas estão despertando após o inverno, principalmente se estiver em regiões onde o inverno de fato é frio (temperaturas de 10 graus ou menos). Se quiser adubar apenas uma vez por ano, escolha fazer isso na primavera, que é quando as plantas estão mais “acordadas e famintas”.

Três ou quatro meses depois, no Verão, onde grande parte das plantas está em pleno desenvolvimento. Neste caso a quantidade já deve ser menor.

E no meio do Outono, fornecendo principalmente Potássio, que ajuda as plantas na preparação para o frio que irá aumentar/chegar e a repor nutrientes perdidos com as fortes chuvas ocorridas na estação anterior (verão).

O clima é outro item de máxima importância. Evite fazer adubação em semanas de tempo seco, pois não há absorção adequada do produto, que também não será diluído por completo na terra. A não ser que você mesmo possa regar bem o jardim na frequência necessária.

E no Outono procure evitar adubos com maior teor de nitrogênio; que estimula novas brotações numa época em que as plantas se preparam para entrar em dormência. O correto nessa época do ano é investir na promoção de Potássio.

Entre essas adubações uso repelentes foliares, ou seja, aplicados nas folhas através de pulverizadores (ou borrifadores, caso tenha poucas plantas). Uso óleo de neem e fumo, para prevenir e combater pulgões, cochonilhas e outras pragas. Mas falaremos disso num post específico. Essa pulverização pode ser quinzenal ou mensal, sem encharcar as folhas.

Cobre e Enxofre

As plantas adoram e precisam também de aplicações foliares de cobre e enxofre. Costumo pulverizar ambos uma vez por mês (exceto no inverno). Principalmente em cítricos, uvas, pêssegos, maçãs, tomates e pepinos (exceto em Bromélias e Orquídeas, que são mais sensíveis). Além de fortalecer as plantas contra pragas, evita e trata o aparecimento de ácaros, oídio, míldio e outros fungos.

O cobre aumenta a resistência das plantas a doenças, além de ser importantíssimo na fotossíntese e na formação de flores e frutos.

Já o enxofre, em conjunto do Nitrogênio, Fósforo e Potássio, faz parte dos nutrientes altamente necessários, estimulando o desenvolvimento vegetativo e a frutificação das plantas. O crescimento raquítico e amarelecimento das folhas são sintomas de falta de enxofre.

Pessoalmente uso Forth Cobre e Enxofre Dimy. São marcas reconhecidamente confiáveis e disponíveis em quase todas as lojas de jardinagem.

Adubos líquidos

Você pode usar apenas adubações líquidas para não ter o trabalho de cavar, incorporar, etc. Mas tenha em mente que ela é menos eficaz e duradoura que a adubação via solo. Mas nem por isso deve ser usada em excesso, pois pode ser ineficaz e fazer mal para as plantas.

Adubos líquidos podem ser aplicados com mais freqüência, claro. Ao invés de três meses o intervalo entre as pulverizações pode cair para um mês. ATENÇÃO: Apesar de muitas embalagens de adubos líquidos recomendarem aplicações semanais ou quinzenais, use adubo foliar apenas uma vez por mês, no maximo! E para aplicar, regulo o jato do borrifador/pulverizador de modo que o líquido se transforme numa nuvem, não em jatos. Aplique a uma distância de 30, 40cm das plantas e não esqueça de borrifar o verso das folhas.

Mais um lembrete: adubos foliares devem ser usados sempre antes da floração. E no caso das frutíferas, aplicar antes da floração. Depois das flores, chegam os frutos e você ainda pode dar uma força para que eles se formem, fazendo mais uma aplicação foliar apenas quando os frutos estiverem com o tamanho de uma pequena azeitona. É só! Mais do que isso é exagero e desperdício, além de facilitar o surgimento de pragas que se aproveitam do excesso (desnecessário) de nutrientes.

Para flores, por exemplo, a periodicidade pode ser semanal, antes da floração. Se já estiverem florescendo não é o ideal, mas se mesmo assim quiser adubar, nunca borrife nas flores diretamente, apenas nas folhas; ou opte por usar o adubo na rega. Existem excelentes opções de marcas conceituadas como Dimy e Forth com adubos líquidos específicos para flores, frutos e folhagens em geral.

Adubos de liberação lenta

Se você quer optar pela adubação química e não quer ter muito trabalho, existe uma linha chamada “Osmocote”, que é bem mais cara, mas sua durabilidade é bem maior.

Os grãos se desfazem bem lentamente, podendo durar de 3 a 6 meses, dependendo do clima. Pelo fato de dissolver lentamente, não machuca as raízes das plantas. Mas é forte e deve ser usado em pouca quantidade, indicada sempre na embalagem (eu uso sempre menos do que a dose recomendada, por precaução). Pode ser usado até em orquídeas que são bem sensíveis.

Escolha de preferência a fórmula que contenha tanto os macronutrientes (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) quanto micronutrientes como (Magnésio, Enxofre, Magnésio, Boro, Cobre, Ferro, Manganês, Molibdênio e Zinco).

Como se recuperar de uma adubação em excesso

Tudo que é demais faz mal. Com adubo não é diferente.

Se dias depois de adubar sua planta ostentar novas manchas amarelas ou marrons, ou parecer fraca e tombada, você exagerou na dose.

Para se recuperar de uma superadubação sugiro que você:

Remova as folhas doentes/danificadas;

Enxágue a planta com mangueira, regulando para um jato suave, com cuidado para não machucá-la ainda mais;

Regue abundantemente, sem jatos fortes, até a água sair pelo fundo do vaso por cerca de cinco minutos. Se estiver no canteiro, regue por cinco minutos se a planta for pequena ou dez se for de grande porte. Dessa forma há esperanças de que o excesso de adubação seja levado pela água. Que é o mesmo princípio de quando chove muito forte no mesmo dia em que adubamos. Muita coisa será perdida.

Como fazer adubo orgânico líquido

Adubo líquido

As plantas adoram essa dica! Use um balde ou uma garrafa PET e adicione 1kg de adubo para cada 10 litros de água. No caso de garrafas pequenas, 100 gramas para cada litro. Use um funil ou papel dobrado para facilitar.

Essa mistura é também chamada de chorume, que neste caso é chorume bom e não aquela água podre liberada nas lixeiras.

O ideal é variar a alimentação, usando num mês o esterco de aves; no mês seguinte a farinha de osso; e no próximo torta de algodão ou húmus. Se não quiser ter tanto trabalho assim, faça de dois em dois meses ou mais. Mas faça, vale a pena.

Misture bastante uma vez por dia. No quarto dia, não precisamos misturar mais e já podemos regar as plantas sempre com cuidado de não molhar o caule. Molhe as bordas ou na distância da copa (que pode ser vista pela sombra que a planta tiver no meio-dia, quando o sol está exatamente acima dela).

O cheiro não é muito agradável, mas as plantas adoram, pode ter certeza.

Você pode também misturar com um pouco mais de água e borrifar nas folhas. Neste caso é melhor colocar o dobro de água e coar para não entupir o pulverizador. Faça isso nas horas mais amenas; ao amanhecer ou depois das 17 horas.

ATENÇÃO: O adubo para se fazer o chorume deve ser alternado sempre! Por exemplo, usar cinza de madeira num mês e no outro também. Não faça isso. Esse líquido serve principalmente para enriquecer o solo; a repetição, além de não fornecer outros nutrientes para o solo e consequentemente para as plantas, pode fazer até mal. Se tiver de repetir algum adubo no chorume, faça apenas uma vez, totalizando duas vezes num mesmo ano. Só!

Outro adubo que podemos produzir em casa é o chorume proveniente da compostagem doméstica. Mas isso é assunto para outro post.

É isso.

2 Comentários

  1. Boa noite, primeiro parabéns pelo site, achei muito bom e bem abrangente, tirou varias de minhas duvidas. Gostaria de saber se podemos molhar os pes de frutas, principalmente cítricos nos meses que não chove. Algumas pessoas falam que a planta esta adormecida nesses meses e isso seria prejudicial. Na realidade esse procedimento ajuda ou atrapalha a planta.

    Obrigado.

    • Boa noite, Sidnei,
      Obrigado pela mensagem, seja sempre bem-vindo por aqui!
      Meus posts se baseiam na experiência pessoal, pesquisas, e posso te garantir que mesmo as plantas que entram em dormência no inverno (frutíferas ou não) apreciam bastante as regas.

      Moro em uma região que recebe muita chuva, mesmo no inverno, e não tenho como evitar que Hortênsias, Roseiras, pés de Pêssego, Caqui, Uva (que perdem folhas e ‘dormem’) e também os pés de limão, lima e tangerina, que não chegam a dormir, mas diminuem consideravelmente as atividades, sejam drasticamente atingidos pela chuva. Sem falar nas plantas bulbosas, que muitos me alertaram que eu PRECISAVA retirar os bulbos da terra, proteger e replantar na primavera. Aqui cultivo Dálias, Agapantos, Calla (copo-de-leite) diretamente em canteiros; e quando secam no inverno eu apenas corto bem rente ao solo e todos renascem lindamente quando as temperaturas voltam a subir na Primavera. Isso acontece há alguns anos então posso garantir com certeza que pode sim regar, sem medo, caso fique sem chover por muito tempo.

      Quando digo ‘muito tempo’ me refiro a mais de 10 dias frios, com noites bem frias. No outono/inverno uma vez por semana ou quinzena é mais que suficiente. A não ser que more em região de inverno mais ameno, com temperaturas que raramente caiam abaixo de 15 graus, aí pode conferir se o solo está muito seco e só então regar, duas vezes na semana se for o caso.

      Agora, se suas frutíferas estiverem em vasos, a rega tem que ser mais cuidadosa e controlada, pois a água demora mais para evaporar, então vale a regra de colocar o dedo uns 2 cm para ver se a terra está bem seca e só aí regar. Se o dedo ou palito de churrasco, por exemplo, sair sujo é pq o solo ainda está com umidade suficiente.

      O problema de regar muito em tempo frio é o aparecimento de fungos e de lesmas e caracóis que se aproveitam da alta umidade e da demora na evaporação para literalmente detonar as folhas verdes que estiverem disponíveis. Para eles vale usar alternativas orgânicas: encher um potinho com um pouco de cerveja e deixar perto de onde costumam aparecer. No dia seguinte certamente vários estarão lá, afogados. Ou ainda pulverizar ‘Dimypel’, que é muito bom também; o problema é que quando chove, devemos reaplicar.

      Aproveite essa época de frio para fazer a correção de solo, espalhando Calcário ao redor das frutíferas e regando bem em seguida. Frutíferas cítricas apreciam a adição de calcário uma vez por ano.

      E ainda durante o inverno vale fazer pulverizações com calda bordalesa (ou produtos prontos similares, como Forth Cobre ou Dimy Cupro) uma vez por mês nos cítricos (e no final do inverno nas que estiverem ‘despertando’), já que isso ajuda a combater diversos fungos e melhora a qualidade dos frutos. Pode misturar Óleo de Neem na hora de pulverizar, assim já combate as cochonilhas que também costumam dar as caras nessa época de frio, em ambientes mais úmidos.

      Espero ter ajudado! Grande abraço

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